Servidores Públicos e PAD
Penalidade desproporcional no PAD: quando a sanção pode ser questionada
Atualização jurídica: 13 de agosto de 2026
Resposta rápida
O art. 128 da Lei nº 8.112/1990 determina que a aplicação da penalidade considere natureza e gravidade da infração, danos ao serviço público, agravantes, atenuantes e antecedentes funcionais. Entretanto, proporcionalidade não significa que a Administração possa escolher livremente qualquer pena. Se os fatos se enquadram de forma válida em hipótese legal cuja consequência é demissão, a discussão costuma se concentrar na correta tipificação, presença dos elementos exigidos e adequação entre fatos provados e norma aplicada.
O erro do automatismo
Uma punição disciplinar não deve ser resultado de frase padronizada. O art. 128 exige avaliação das circunstâncias concretas. Histórico funcional, extensão do dano, contexto, dolo, finalidade e consequências do ato podem ser juridicamente relevantes.
Mas é igualmente incorreto afirmar que todo servidor antigo e sem antecedentes pode transformar uma demissão legal em advertência. O regime possui infrações com consequências vinculadas.
Proporcionalidade e tipificação caminham juntas
Muitas teses de desproporcionalidade são, na verdade, teses de enquadramento errado. A comissão pode atribuir ao fato um tipo gravíssimo quando a prova demonstra comportamento menos intenso, sem finalidade específica ou sem resultado exigido.
Antes de pedir “pena menor”, a defesa deve perguntar se a infração grave realmente se configurou.
Antecedentes funcionais
Elogios, ausência de punições e anos de serviço podem integrar a dosimetria, mas não funcionam como imunidade. São elementos que devem ser considerados junto com a natureza da conduta.
O mesmo vale para dano ao erário: a ausência de dano pode ser relevante para determinados tipos, mas nem toda infração disciplinar exige prejuízo financeiro.
Controle judicial
O Judiciário pode controlar legalidade e proporcionalidade em hipóteses reconhecíveis sem simplesmente substituir a Administração na avaliação ampla das provas. Mandado de segurança, em particular, exige prova pré-constituída e não é adequado para toda controvérsia fática.
Casos complexos podem exigir ação de conhecimento com produção de prova.
A análise de Max Kolbe
O método é separar: fatos provados; elementos do tipo disciplinar; circunstâncias do art. 128; pena legalmente prevista; motivação da autoridade. Se houver ruptura entre essas etapas, surge um ponto de ataque juridicamente mais sólido.
Esse raciocínio evita teses meramente emocionais e concentra a defesa na legalidade da sanção.
A atuação do Dr. Max Kolbe
Dr. Max Kolbe é advogado e professor, com 19 anos de advocacia e atuação em Direito Público. Em 2026, lançou na OAB/DF as obras “O Direito nos Concursos Públicos” e “O Processo Administrativo Disciplinar”. No Kolbe Advogados, sua atuação em matéria disciplinar concentra-se na leitura estratégica dos autos, na identificação de nulidades efetivamente relevantes, na construção da teoria do caso, na análise probatória e no controle jurídico da tipificação e da penalidade. O objetivo não é procurar uma “nulidade mágica”, mas identificar o ponto jurídico e probatório que realmente pode alterar o resultado do procedimento.
Exemplo prático
Exemplo: servidor é acusado de usar o cargo para obter vantagem. O PAD demonstra apenas falha procedimental sem qualquer benefício próprio ou de terceiro. A questão central pode não ser “a demissão é severa”, mas sim “os fatos provam o elemento que caracteriza a infração demissória?”.
Documentos que normalmente devem ser separados
- Decisão de penalidade
- Relatório final
- Indiciação
- Provas do fato
- Ficha funcional
- Elogios e avaliações
- Documentos sobre dano ou ausência de dano
- Norma disciplinar aplicada
Perguntas frequentes
Bom histórico impede demissão?
Não. É um elemento da dosimetria, mas não afasta automaticamente infração cuja lei prevê demissão.
A ausência de dano ao erário ajuda?
Pode ajudar, dependendo da infração e dos elementos exigidos.
O Judiciário pode trocar demissão por suspensão?
O controle não funciona como nova dosimetria livre. É necessário demonstrar ilegalidade, erro de tipificação ou desproporção juridicamente controlável.
Art. 128 sempre se aplica?
É parâmetro legal relevante para aplicação de penalidades no regime federal.
A comissão ou autoridade deve justificar a pena?
Sim. A motivação é elemento central do ato sancionador.
Seu caso precisa ser analisado pelos autos, não por suposições
Envie a portaria, notificação, indiciação, relatório ou decisão e informe os prazos em andamento. A equipe do Kolbe Advogados poderá identificar quais documentos são necessários para a análise estratégica.
